
Por Katiussi Melo
Fenômeno climático já apresenta impactos no estado e tende a se intensificar a partir da segunda quinzena de julho, com previsão de persistir até janeiro de 2027.
O Acre já enfrenta os primeiros reflexos do El Niño, mas os impactos mais severos ainda estão por vir. De acordo com a Defesa Civil, o fenômeno climático deve ganhar força na segunda quinzena de julho e permanecer ativo, pelo menos, até janeiro de 2027. A expectativa é de que este seja um Super El Niño, caracterizado por efeitos mais intensos sobre o clima e, consequentemente, sobre a economia, o meio ambiente e a qualidade de vida da população.
Entre as principais consequências previstas estão o prolongamento das ondas de calor, a redução significativa das chuvas e o agravamento da crise hídrica em todo o estado. Os efeitos devem atingir tanto a zona urbana quanto a zona rural, comprometendo diferentes setores produtivos e aumentando os desafios enfrentados pelas comunidades.

No campo, a escassez de chuvas pode provocar perdas na agricultura, piscicultura, pecuária e nas lavouras, além de reduzir a produção da agricultura familiar, responsável pelo abastecimento de hortaliças e outros alimentos comercializados nos centros urbanos.
Outro ponto de preocupação é a dificuldade de transporte nas comunidades que dependem da navegação fluvial. Durante a estiagem de 2024, trajetos que normalmente eram realizados em cerca de duas horas chegaram a durar entre seis e oito horas devido ao baixo nível dos rios, cenário que dificultou o escoamento da produção rural e elevou o risco de acidentes.
A Defesa Civil também alerta para o aumento da probabilidade de queimadas, focos de calor, incêndios florestais e incêndios em áreas urbanas durante o período mais crítico da seca. Além dos prejuízos ambientais, a fumaça compromete a qualidade do ar e pode agravar problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Segundo o coordenador da Defesa Civil Municipal de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, o momento exige planejamento e mobilização de toda a sociedade para enfrentar os impactos previstos.
“Estamos diante de um cenário que exige preparação antecipada. O Super El Niño deverá intensificar a estiagem, reduzir ainda mais os níveis dos rios e aumentar o risco de queimadas em todo o estado. A Defesa Civil está fortalecendo o monitoramento e articulando ações preventivas, mas a participação da população será decisiva. Evitar o uso do fogo, economizar água e adotar medidas de proteção à saúde são atitudes que fazem diferença neste período crítico. Quanto mais preparados estivermos agora, menores serão os impactos para as famílias acreanas nos próximos meses”, afirmou Cláudio Falcão.

Os danos ambientais também preocupam. As queimadas provocam a destruição da vegetação, afetam animais silvestres de diferentes portes e reduzem populações de insetos e outros organismos fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas.
Diante do cenário previsto, a Defesa Civil defende uma atuação integrada entre os governos municipal, estadual e federal para minimizar os impactos da estiagem. Entre as medidas apontadas estão o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao setor produtivo, o apoio técnico aos agricultores, o fornecimento de máquinas para manutenção das propriedades rurais e ações de assistência às famílias mais vulneráveis, incluindo a distribuição de água potável e alimentos quando necessário.
Além das ações governamentais, o órgão reforça que a população também desempenha um papel essencial na prevenção dos impactos. A orientação é evitar queimadas, não utilizar fogo para limpeza de terrenos, reduzir a exposição ao sol nos horários mais quentes do dia, manter os ambientes ventilados durante a noite e adotar medidas para preservar a saúde durante o período de calor intenso.

Segundo a Defesa Civil, a atuação conjunta entre os órgãos públicos e a conscientização da população serão fundamentais para reduzir os impactos de uma estiagem que poderá ser uma das mais severas dos últimos anos no Acre.





