Ufac volta a suspender aulas presenciais devido à crise no transporte coletivo

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A crise no transporte coletivo de Rio Branco voltou a impactar o funcionamento da Universidade Federal do Acre (Ufac). Em reunião extraordinária realizada nesta quarta-feira, 15, o Conselho Universitário (Consu) decidiu retomar a suspensão das atividades acadêmicas presenciais dos cursos de graduação no campus de Rio Branco e aprovou uma série de medidas para evitar prejuízos aos estudantes enquanto persistirem os problemas de deslocamento.

Além da suspensão das aulas presenciais, o colegiado caracterizou o primeiro semestre letivo de 2026 como um período excepcional, reconhecendo que a precariedade do transporte coletivo tem comprometido o acesso dos estudantes à universidade.

A resolução estabelece que as atividades presenciais permanecerão suspensas até que seja restabelecida uma frota mínima de ônibus em circulação na capital. O retorno dependerá de ato da Reitoria, após verificação conjunta com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e o Comando de Greve Estudantil.

A decisão ocorre em meio à crise enfrentada pelo transporte coletivo de Rio Branco, agravada após a apreensão de parte da frota da empresa Ricco Transportes e Turismo por determinação da Justiça. Com menos veículos em circulação, estudantes passaram a enfrentar longas esperas, superlotação e dificuldades para chegar ao campus.

Nesta quarta-feira, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans) informou que a expectativa é ampliar a frota em operação com mais 20 ônibus até o próximo sábado, 18. Mesmo com a previsão de reforço, a universidade optou por manter a suspensão das atividades presenciais até que a situação seja considerada normalizada.

Medidas para evitar prejuízos

A resolução aprovada pelo Consu também estabelece uma série de garantias acadêmicas aos estudantes.

Durante este semestre, a frequência será computada mediante a realização e entrega das atividades previstas nos planos de ensino. A universidade ressalta, porém, que a decisão não altera a modalidade dos cursos presenciais, nem autoriza sua substituição por ensino remoto.

Outra medida determina que o primeiro semestre letivo de 2026 não será considerado para fins de jubilamento, evitando que o período conte no tempo máximo de permanência dos estudantes nos cursos de graduação.

Os alunos também poderão solicitar trancamento total ou parcial da matrícula até o fim do semestre, sem prejuízo acadêmico. Nos casos de trancamento parcial, as disciplinas serão excluídas sem impacto no Coeficiente de Rendimento Acadêmico (CRA).

Além disso, a universidade assegurou o direito de todos os estudantes realizarem as avaliações previstas nas disciplinas e determinou que sejam adotadas medidas para repor atividades e evitar prejuízos aos que deixaram de frequentar as aulas por causa da crise no transporte.

Estágios e atividades práticas

As atividades práticas e os estágios obrigatórios e não obrigatórios serão mantidos. Entretanto, a resolução prevê que nenhum estudante poderá ser penalizado caso enfrente dificuldades de deslocamento.

A mesma garantia vale para participantes de programas de extensão, iniciação científica, iniciação à docência, monitoria, Programa de Educação Tutorial (PET) e demais programas acadêmicos, que poderão ter cronogramas ajustados, prazos flexibilizados e outras medidas excepcionais enquanto durar a crise.

A Gazeta do Acre