Do pronto-socorro à política: a história de Marta que nasceu de uma dor e virou projeto para o Acre

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Aos 23 anos, ela conheceu de perto os problemas da saúde pública. Anos depois, enfrentou na própria família a realidade da doença mental e decidiu transformar essas experiências em propostas para a saúde e a educação

O que começou aos 23 anos, dentro de um pronto-socorro de Rio Branco, acabou se transformando em um projeto político que tem a saúde mental como uma de suas principais bandeiras.

Marta de Figueiredo trabalhava no serviço público quando passou a conviver diariamente com as dificuldades enfrentadas por pacientes que dependiam do atendimento. Durante três anos, viu problemas que, segundo sua percepção, poderiam ser enfrentados com gestão, planejamento, compromisso e respeito às pessoas.

A experiência despertou uma decisão: estudar Administração.

A intenção era se preparar para voltar ao serviço público e contribuir para mudar aquilo que havia testemunhado. Mas veio uma frustração no caminho. Ao descobrir que cargos eram ocupados por indicação política, e não exclusivamente por concurso público, decidiu se afastar.

O sonho ficou guardado.

Mas não por muito tempo.

Uma perda mudou tudo

A virada aconteceu anos depois, dentro da própria família.

Marta perdeu a mãe após sete anos de tratamento psiquiátrico e de uma luta contra a esquizofrenia.

A experiência despertou nela uma necessidade pessoal de compreender melhor a saúde mental, o sofrimento psicológico e os impactos que uma doença dessa natureza provoca não apenas no paciente, mas em toda a família.

Foi quando decidiu cursar Psicologia.

E a nova formação acabou levando Marta novamente para dentro das escolas.

As “crianças problema” que mudaram sua visão

Durante os estágios em uma escola municipal e outra estadual, Marta trabalhou habilidades sociais com crianças que eram frequentemente apontadas como “crianças problema”.

O trabalho mostrou mudanças no comportamento e na convivência dos alunos.

A experiência reforçou uma ideia que hoje está no centro de suas propostas: a saúde mental também precisa ser cuidada antes que apareça uma crise.

Para Marta, a escola é um espaço estratégico para desenvolver habilidades sociais, reconhecer sinais de sofrimento emocional e ajudar crianças e adolescentes a construírem relações mais saudáveis.

Da experiência pessoal para uma proposta política

Hoje, Marta apresenta uma trajetória que combina Administração, Psicologia e uma experiência familiar marcada pela doença mental.

É desse encontro que surge sua candidatura a deputada estadual pelo Acre.

Entre as propostas apresentadas estão ações voltadas à prevenção do adoecimento psicológico, ampliação do trabalho de habilidades sociais nas escolas e fortalecimento da atenção psicossocial.

O que Marta propõe

• Habilidades sociais nas escolas
Criação de um programa estadual para trabalhar empatia, controle emocional, resolução de conflitos e vínculos saudáveis com crianças e adolescentes.

• Psicólogos na rede estadual
Defesa da presença de profissionais preparados para atuar no ambiente escolar, contribuindo para identificar sinais precoces de sofrimento emocional e trabalhar habilidades sociais.

• Apoio às famílias
Fortalecimento da rede de atenção psicossocial e ampliação do suporte a familiares e cuidadores de pessoas com transtornos mentais.

• Gestão e transparência na saúde
Fiscalização dos serviços de urgência e emergência, defesa de critérios técnicos de gestão e acompanhamento público de filas, atendimentos e resultados.

• Mais prevenção, menos crise
Defesa de investimentos em ações preventivas de saúde mental, buscando atuar antes que o sofrimento evolua para situações mais graves.

Uma história que chegou à política

A trajetória de Marta não começou em um palanque.

Começou no pronto-socorro, diante de problemas concretos do serviço público. Passou pela universidade, pelas salas de aula e, principalmente, pela própria história familiar.

Agora, essas experiências estão sendo apresentadas como base de um projeto político que coloca a saúde mental no centro do debate.

A proposta parte de uma mudança de perspectiva: não esperar a crise chegar para começar a cuidar.

Para Marta, cuidar da saúde mental significa olhar para a criança na escola, para o adolescente em formação, para o paciente em sofrimento e também para a família que acompanha tudo de perto.