
Em um forte desabafo publicado nas redes sociais nesta terça-feira, 27, Rafaela Oliveira, irmã da jovem de 23 anos agredida brutalmente no Parque do São Francisco no último domingo, 25, rompeu o silêncio para pedir justiça e contestar informações divulgadas sobre o caso.
Acompanhado pela hashtag #justiçaporbadassa, o vídeo mostra o estado em que a vítima se encontra no hospital e retrata a dor vivida pela família após o ataque.
“No dia 25, eu quase perdi minha irmã no dia da eleição. Minha família viveu um pesadelo real. Tá sendo muito difícil para o meu pai e para a minha mãe ver a filha deles no hospital com o rosto literalmente desfigurado. Quebraram o maxilar, o nariz, o ouvido dela“, relatou Rafaela.
Contestação de informações e transfobia na cobertura
No vídeo, a irmã contestou dados que circularam em reportagens iniciais sobre a ocorrência. Rafaela desmentiu a informação de que a Polícia Militar não teria sido acionada, exibindo capturas de tela do celular que comprovam chamadas efetuadas para o número de emergência 190 na noite do crime.
Além disso, ela criticou a afirmação de que a vítima teria conversado com socorristas ou testemunhas no local. “Disseram que a vítima conversou, sendo que minha irmã não tinha condições de falar ali. Conversaram foi com a amiga dela. Por que a imprensa não veio atrás de nós, os familiares?”, questionou.
Rafaela também denunciou o desrespeito à identidade de gênero de sua irmã na cobertura da imprensa e nas redes sociais, apontando o tratamento no masculino por parte de veículos de informação.
“Trataram a minha irmã todo o tempo no masculino: ‘ele, ele, ele’. E nas redes sociais, pessoas fazendo politicagem, rindo da nossa dor. O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Graças a Deus a minha irmã está viva por um milagre, mas amanhã pode ser eu, pode ser você, pode ser um familiar seu. E a gente não vai se calar”, declarou.
Crime e investigação
A vítima foi encontrada sem roupas e com graves deformações faciais por populares em um beco dentro do Parque do São Francisco, nas proximidades do Horto Florestal, no bairro Raimundo Melo. Encaminhada ao Pronto-Socorro de Rio Branco pelo Samu, ela segue internada sob cuidados médicos.
A família cobra uma apuração rigorosa por parte das autoridades policiais para identificar e prender o autor do crime, reafirmando que nenhuma divergência ou justificativa é cabível diante da violência sofrida. “Não importa lado político, se foi briga ou desavença no trabalho, nada justifica uma crueldade dessa. Não tem político no mundo que cure a falta de amor ao próximo”, concluiu Rafaela

Fonte: A Gazeta do Acre




