O preço de uma vida: suspeito de matar médica no Acre confirma em depoimento que crime foi encomendado por R$ 40 mil

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O assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, em Brasiléia, no interior do Acre, teria sido encomendado por R$ 40 mil. A informação foi revelada nesta sexta-feira, 6, pelo delegado Alex Danny, após Lucival Lopes de Souza, conhecido como “Pitaca”, confessar ter efetuado os disparos que mataram a vítima. Segundo a Polícia Civil, o suspeito também apontou a existência de outras pessoas envolvidas na articulação do crime.

Lucivaldo foi interrogado na manhã desta sexta. Durante o depoimento, admitiu ser o executor do assassinato, ocorrido na noite de segunda-feira, 2, em um bar de Brasiléia.

“O Lucival foi ouvido na manhã de hoje, ele foi interrogado. […] Ele confessa a autoria do crime como sendo executor da morte da doutora Elyne”, afirmou Alex Danny.

Apesar da confissão, a Polícia Civil ainda trabalha para esclarecer como ocorreu a contratação do crime e identificar todos os envolvidos na articulação. O delegado afirmou que já existem pessoas identificadas nesse percurso entre o possível mandante e quem efetuou os disparos.

“Temos como mandante o advogado, que se encontra hospitalizado, e como autor executor, na ponta final, Lucival. Nesse meio-campo que nós estamos ainda fechando, já temos identificadas algumas pessoas, não apenas uma, mas algumas pessoas envolvidas nessa intermediação entre o mando e a execução da morte”, declarou.

O advogado e ex-companheiro da médica, Francisco Valadares Neto, é investigado como possível mandante. Ele está hospitalizado desde terça-feira, 3, quando foi encontrado desacordado em casa, em Brasiléia. Segundo a Polícia Civil, a situação de saúde dele ainda não permitiu a realização de um interrogatório formal.

Pagamento de R$ 40 mil

Durante a coletiva, Alex Danny informou que, conforme o relato de Lucival, o valor total acertado para a execução do assassinato foi de R$ 40 mil. Desse montante, R$ 10 mil seriam destinados ao homem preso.

O delegado detalhou que Lucival teria recebido R$ 2 mil antecipadamente, enquanto os outros R$ 8 mil seriam pagos depois da morte da médica. Durante as diligências, a polícia conseguiu apreender R$ 700 em dinheiro, que, segundo a investigação, seriam parte do adiantamento.

“Para o Lucival foi adiantado 10 mil reais, em espécie ele recebeu 2 mil de adiantamento para executar, os 8 mil seriam pós-morte. Desses 2 mil reais que ele recebeu, nós conseguimos arrecadar 700 reais”, explicou.

Segundo o delegado, uma terceira pessoa também está sendo investigada, e a apuração busca esclarecer a participação de outros envolvidos na intermediação. A Polícia Civil não detalhou os nomes nem a função de cada um deles.

Celular do advogado não foi encontrado

A polícia também procura o aparelho celular de Francisco Valadares Neto. Conforme Alex Danny, o telefone não foi localizado durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência do investigado.

No imóvel, os policiais encontraram um notebook com pesquisas relacionadas à morte da médica. O delegado afirmou que o equipamento também apresentava alterações que poderiam dificultar a localização do celular.

“Ele desabilitou várias coisas no computador dele, com o intuito de dificultar a localização do aparelho telefônico dele”, disse.

O celular de Elyne, por outro lado, foi recuperado. Segundo a polícia, o aparelho havia sido entregue por familiares ao advogado de confiança da vítima e foi posteriormente apreendido pelos investigadores.

Durante as buscas, também foram recolhidos R$ 700 em dinheiro e uma luva com o executor. A polícia ainda analisa uma peça de roupa encontrada durante as diligências, mas Lucival afirmou, em interrogatório, que ela seria referente a uma tentativa de roubo anterior, e não ao dia do assassinato. Sobre a arma utilizada no crime, ele atribuiu a posse a uma terceira pessoa.

Investigação continua

A Polícia Civil considera que ainda há etapas a cumprir antes de concluir o caso. Alex Danny afirmou que a equipe já reuniu elementos sobre a execução e a possível encomenda do assassinato, mas precisa fechar as conexões entre os envolvidos.

“Tem muito trabalho a ser feito ainda. […] A gente apresenta essa resposta intermediária, não a resposta final. A gente pretende ainda avançar nos trabalhos investigatórios para trazer uma resposta completa e concluir esse caso”, afirmou.

O delegado também informou que a principal linha de investigação é a de feminicídio. No entanto, a motivação ainda não foi esclarecida, uma vez que Francisco Valadares Neto não foi interrogado.

A médica Elyne de Assis Nogueira foi morta a tiros na noite de segunda-feira, 2, enquanto estava em um bar de Brasiléia, acompanhada de amigos. Antes do crime, ela havia registrado boletins de ocorrência contra o ex-companheiro e possuía medida protetiva. A Polícia Civil apura se o assassinato foi encomendado por Francisco.

Fonte: A Gazeta do Acre