
O avanço do sarampo em grandes centros urbanos do país voltou a acender o sinal de alerta nas autoridades de saúde pública. Em São Paulo, o número de confirmações saltou para 23 casos em questão de dias, somando-se a registros no Rio de Janeiro e a surtos expressivos nos Estados Unidos e em países vizinhos da América Latina. No Acre, contudo, o cenário é de estabilidade prolongada: o estado não registra casos confirmados de sarampo há 26 anos, os últimos registros oficiais datam do ano 2000.
Mesmo sem circulação nativa do vírus há mais de duas décadas, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) e o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/AC) mantêm o alerta ligado. A estratégia foca no reforço da busca ativa e na vigilância epidemiológica contínua, especialmente por se tratar de uma região de fronteira internacional com fluxo frequente de viajantes.
No Acre, os dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) mostram que a cobertura para a 1ª dose da vacina Tríplice Viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) atingiu 85,58% entre janeiro e março de 2026.
Entre os municípios, Senador Guiomard lidera o ranking estadual com 100% de cobertura na primeira dose. A capital, Rio Branco, registra 96,70% de imunização na 1ª dose. Já localidades como Assis Brasil (62,90%) e Capixaba (59,62%) apresentam índices mais baixos e exigem atenção das equipes locais de saúde.
Vale destacar que a reintrodução do vírus em áreas livres decorre da combinação entre casos importados e a queda nas coberturas vacinais – fenômeno impulsionado pela desinformação e pelo avanço do movimento antivacina. Como o sarampo é extremamente contagioso e transmitido pelo ar (fala, espirro ou tosse), a presença de pessoas não imunizadas favorece a rápida criação de cadeias de transmissão.
Estratégia de vigilância nas fronteiras
Para assegurar que o vírus não volte a circular em solo acreano, o Lacen/AC estruturou uma rede integrada com os Laboratórios de Fronteiras (Lafrons) do Alto Acre e do Juruá. A estrutura garante que amostras de pacientes com sintomas suspeitos – como febre, manchas vermelhas na pele, tosse ou conjuntivite – sejam coletadas e analisadas rapidamente.
As autoridades de saúde reforçam que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção. A imunização contra o sarampo está disponível gratuitamente em todas as unidades básicas de saúde do estado para crianças, jovens e adultos de até 59 anos
Fonte: A Gazeta do Acre




