Acre despeja cerca de 57 milhões de litros de esgoto por dia em rios e igarapés, aponta pesquisa

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Todos os dias, cerca de 57,1 milhões de litros de esgoto bruto são despejados em córregos, rios e igarapés do Acre. A estimativa faz parte do estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Acre”, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Ex Ante Consultoria Econômica e divulgado nesta terça-feira, 11. 

O volume está relacionado ao baixo acesso da população aos serviços de esgotamento sanitário. Em 2024, aproximadamente 783 mil pessoas no Acre viviam em residências sem acesso à coleta de esgoto, o equivalente a 89% da população considerada pelo levantamento.

A ausência de coleta faz com que os resíduos produzidos nas residências tenham como destino sistemas individuais ou sejam lançados no ambiente sem o tratamento adequado.

O levantamento mostra que apenas 25,1% da água consumida recebia tratamento antes de ser descartada na natureza, o que indica que 74,9% retornava ao meio ambiente sem tratamento. Segundo o estudo, as bacias hidrográficas do Acre receberam uma carga estimada de cerca de 20,8 milhões de m³ por ano de água poluída, apenas de esgoto residencial não tratado, o que resultou em 57,1 milhões de litros de água suja despejados em rios e igarapés diariamente em 2024.

Acre despeja cerca de 57 milhões de litros de esgoto por dia em rios e igarapés, aponta pesquisa

Rede cresceu, mas déficit continua alto

Apesar do cenário, o estudo aponta que houve expansão da infraestrutura de esgoto no estado nas últimas décadas.

Em 2005, o Acre possuía aproximadamente 132 quilômetros de rede de coleta de esgoto. Em 2024, a extensão havia chegado a 772 quilômetros, um crescimento médio de 9,7% ao ano.

O volume de esgoto coletado também aumentou. Segundo o levantamento, passou de aproximadamente 4,8 milhões de metros cúbicos em 2005 para 12,5 milhões de metros cúbicos em 2024.

Já o volume tratado saiu de cerca de 1,9 milhão de metros cúbicos para aproximadamente 7 milhões de metros cúbicos no mesmo período.

Ainda assim, a distância entre a infraestrutura existente e a necessidade da população permanece grande.

Impacto chega ao turismo

O estudo também relaciona a expansão do saneamento à melhoria ambiental e aos efeitos econômicos dessa transformação.

Entre 2005 e 2024, os pesquisadores estimaram que a valorização ambiental decorrente da expansão do saneamento contribuiu para gerar R$ 83,7 milhões em renda relacionada ao turismo no Acre.

A projeção para 2025 a 2040 é de outros R$ 443,5 milhões em renda turística caso o estado avance na direção da universalização dos serviços.

Segundo o estudo, a relação ocorre porque a melhoria do saneamento contribui para a despoluição de rios e córregos e para a ampliação do acesso à água tratada, fatores que podem melhorar as condições ambientais e favorecer atividades turísticas.

Fonte: A Gazeta do Acre