Mauro, foragido do Comando Vermelho, é recapturado em Rio Branco; operação prende policial penal e advogados

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A Polícia Civil do Acre (PCAC) recapturou, na segunda-feira (31), José Mauro da Silva — conhecido como Zé Mauro Paraíba —, apontado como integrante do Comando Vermelho e foragido desde o dia 16 de agosto. A captura ocorreu na região da Estrada do Quixadá, em Rio Branco, durante ação conjunta das equipes da Draco, DHPP e DPCI. O foragido foi encontrado escondido dentro do banheiro de um imóvel, e seu filho, José Francisco, também foi preso por suspeita de prestar apoio ao pai durante o período de fuga.

A recaptura aconteceu no mesmo dia em que a Polícia Civil deflagrou a Operação Conto do Vigário, que investiga um suposto esquema criminoso responsável por facilitar a fuga de Zé Mauro da custódia do Estado. Na operação, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva — incluindo um policial penal e dois advogados — e quatro mandados de busca e apreensão.

Embora o tema central seja de natureza policial, seus desdobramentos tocam diretamente a saúde pública e o bem-estar psicossocial da população. A sensação de insegurança gerada pela circulação de um criminoso de alta periculosidade em liberdade, ainda que por 15 dias, afeta a saúde mental dos moradores — especialmente em regiões periféricas onde o medo e a violência já são parte do cotidiano. Estudos mostram que a exposição prolongada a situações de violência e impunidade está associada a quadros de ansiedade, estresse pós-traumático, insônia e hipertensão arterial.

Segundo as investigações, a fuga ocorreu durante uma suposta escolta para atendimento médico, quando Zé Mauro teria alegado passar mal. A viatura parou nas proximidades do Estádio Florestão, momento em que o preso conseguiu escapar. A Polícia Civil apura a participação do policial penal preso como o facilitador direto da fuga, além da possível atuação de advogados e de uma rede de apoio externo — com indícios de pagamento em dinheiro para viabilizar o esquema.

O histórico criminal de Zé Mauro inclui condenações por crimes violentos, além de investigações por suposta expulsão de moradores de suas residências nas regiões do Calafate e Ilson Ribeiro. Ele já havia sido preso em flagrante em 2022 com arma de fogo e drogas. Sua recaptura traz um alívio momentâneo à comunidade, mas não encerra as apurações: a Polícia Civil já sinalizou que novas prisões poderão ocorrer nas próximas fases da Operação Conto do Vigário.

Do ponto de vista da saúde coletiva, a atuação célere das forças de segurança, combinada com a transparência nas investigações, contribui para a reconstrução da confiança institucional — um fator protetivo contra o adoecimento psíquico coletivo. Quando a população percebe que o Estado responde com eficácia a crimes graves, há uma redução do estresse social e um fortalecimento do senso de justiça, que é um determinante fundamental para o bem-estar comunitário.

A operação integra a Rede Nacional de Enfrentamento ao Crime Organizado (RENORCRIM), coordenada pela Senasp, e reforça que a segurança pública, quando tratada como política de Estado, é também uma política de saúde — pois protege não apenas a integridade física, mas também a saúde emocional de toda uma sociedade.

Fonte: O Alto Acre