
A possível intensificação da seca provocada pelo El Niño está levando o Governo Federal a acompanhar de forma integrada o comportamento dos rios da Amazônia. A preocupação é que a redução das chuvas e das vazões produza efeitos que ultrapassem os limites de cada estado e atinjam atividades essenciais como navegação, abastecimento e deslocamento de comunidades ribeirinhas.
O cenário foi abordado pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante entrevista exclusiva ao portal A GAZETA.
Ao falar especificamente sobre o Acre, a ministra destacou que o comportamento dos rios precisa ser observado dentro de uma dinâmica hidrográfica mais ampla.
“A seca não ocorre de maneira isolada. Os rios alimentam diretamente a calha do Solimões e a gente está acompanhando essa dinâmica de forma integrada”, afirmou.
A declaração ocorre em um momento de atenção para a Região Norte diante das projeções de chuvas abaixo da média nos próximos meses. No Acre, embora os rios estejam atualmente em condições próximas da normalidade para o período de seca, o cenário pode mudar com o avanço do período de estiagem.
“Hoje, os rios do Acre estão em situação de normalidade. No entanto, a previsão é de chuvas abaixo da média nos próximos meses”, alertou Luciana Santos.
Quando o rio baixa, o impacto vai além da água

Na Amazônia, uma seca severa possui consequências diferentes das observadas em muitas outras regiões do país. Os rios são utilizados como vias de transporte de passageiros, alimentos, combustíveis, medicamentos e outros produtos essenciais.
A redução acentuada dos níveis pode dificultar a navegação, encarecer ou atrasar o abastecimento e aumentar o isolamento de comunidades que dependem quase exclusivamente do transporte fluvial.
Por isso, segundo Luciana Santos, as medidas preparadas para a Região Norte consideram também os possíveis impactos sobre a navegabilidade e a chegada de produtos essenciais.
“Na região Norte, [o impacto]é a seca extrema. E a gente tem medidas de navegabilidade, de abastecimento, em que vários ministérios vão atuar para dar o suporte necessário para socorrer e ajudar a comunidade”, afirmou.
A ministra explicou que o monitoramento científico realizado por órgãos ligados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação é utilizado para orientar as áreas responsáveis pelas ações de resposta.
“A gente dá os dados para a antecipação do fenômeno, faz o monitoramento e faz a emissão de alertas”, disse.
Ribeirinhos estão entre os mais vulneráveis
O acompanhamento tem atenção especial para populações cuja rotina depende diretamente dos rios. Entre elas estão comunidades ribeirinhas, que podem enfrentar dificuldades de deslocamento e abastecimento quando os níveis ficam muito baixos.
“A gente está fazendo monitoramento, principalmente nas áreas mais vulneráveis. São as ribeirinhas, que contam bastante com o deslocamento. Então, essa situação está sendo monitorada para poder chegar junto na hora mais necessária”, destacou Luciana Santos.
Além dos impactos sobre a navegação, períodos prolongados de estiagem podem afetar a disponibilidade de água, a agricultura e criar condições mais favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios florestais.
No caso do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a estratégia passa pelo acompanhamento de dados produzidos por instituições como o Cemaden e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“A gente tem o papel de utilizar a ciência para monitorar os registros e alertar com antecedência os órgãos competentes para dar suporte às comunidades”, afirmou a ministra.
Para o Acre, o acompanhamento dos próximos meses será especialmente importante. O estado já experimentou secas severas e níveis críticos de seus principais rios nos últimos anos, cenário que atingiu tanto áreas urbanas quanto comunidades do interior.
Com a possibilidade de chuvas abaixo da média, o monitoramento tecnológico busca identificar com antecedência alterações capazes de comprometer a navegabilidade, o abastecimento e a vida das populações que dependem dos rios na Amazônia.




