
O número de famílias endividadas no Acre aumentou em julho e chegou ao maior patamar dos últimos 12 meses, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e acompanhados pela Federação do Comércio do Acre (Fecomércio-AC).
No estado, 82,7% das famílias estavam endividadas no mês passado, percentual que representa cerca de 53,1 mil famílias. Em junho, eram 82,4%, o equivalente a aproximadamente 51,2 mil famílias.
Apesar do aumento no número de famílias com dívidas, houve uma pequena redução entre aquelas que afirmam não ter condições de quitar os compromissos financeiros. O número passou de 17.332 famílias em junho para 17.139 em julho, uma queda de 1,13%.
Dívida não significa necessariamente inadimplência
Os dados fazem uma distinção entre famílias endividadas e aquelas que estão inadimplentes. Ter uma dívida significa possuir algum compromisso financeiro, como parcelas de compras, empréstimos ou fatura do cartão de crédito. Já a inadimplência ocorre quando a dívida não é paga dentro do prazo e o consumidor passa a ter dificuldades para quitar o compromisso.
No Acre, entre as famílias endividadas, o período médio de atraso chegou a 63,1 dias. Segundo a Fecomércio-AC, o indicador vem apresentando crescimento desde julho do ano passado.
A situação é mais concentrada entre famílias de menor renda. De acordo com o levantamento, os consumidores com renda de até três salários mínimos apresentam maior comprometimento da renda com as dívidas, superior a 50%.
Cartão de crédito aparece entre os fatores
Em entrevista para a Fecomércio-AC, o assessor da presidência do órgão, Egídio Garó, explica que o uso do cartão de crédito é um dos fatores que contribuem para o crescimento do endividamento, principalmente entre as famílias de menor renda.
“Mais uma vez, o uso inconsciente do cartão de crédito eleva o número de famílias endividadas, especificamente nas de baixa renda”, avaliou.
Garó também citou o programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal para facilitar a renegociação de dívidas. Segundo ele, os indicadores ainda elevados podem indicar que parte das famílias não teve acesso ou não aderiu ao programa.
O assessor também avaliou que uma eventual redução da taxa básica de juros pode, no médio prazo, contribuir para diminuir o impacto financeiro das dívidas e facilitar processos de renegociação.
Cenário nacional
O crescimento do endividamento também foi observado no país. Segundo a Peic de julho, 82% das famílias brasileiras estavam endividadas, o equivalente a aproximadamente 14,97 milhões de famílias.
O percentual nacional representa o maior nível registrado desde janeiro, quando 79,2% das famílias declararam possuir dívidas.
Ao mesmo tempo, a proporção de famílias brasileiras com dívidas em atraso apresentou uma leve queda, passando de 29,9% em junho para 29,8% em julho.
Fonte: A Gazeta do Acre




