
A falta de saneamento básico pode ultrapassar os limites da saúde e das condições de moradia e também refletir na trajetória escolar de crianças e jovens. No Acre, estudantes que vivem em residências sem acesso adequado a serviços de saneamento apresentam indicadores educacionais piores, segundo o estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Acre”, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Ex Ante Consultoria Econômica e divulgado nesta terça-feira, 11.
O levantamento analisou dados de 2024 e identificou diferenças no atraso escolar de acordo com as condições de saneamento dos domicílios. Entre crianças e jovens que viviam em locais sem acesso à coleta de esgoto, o atraso escolar era 1,21% maior do que entre aqueles que tinham acesso ao serviço. Para quem morava em residências sem acesso à rede de água tratada, o índice era 1,15% maior.
A diferença é ainda mais significativa quando o estudo considera a existência de banheiro de uso exclusivo na residência. Segundo o levantamento, a ausência dessa estrutura estava associada a um atraso escolar 15,14% maior.
Diferença também aparece no Enem
O estudo também cruzou as condições de saneamento com o desempenho dos estudantes no Enem de 2024 nos 22 municípios do Acre.
Entre os estudantes que moravam em casas com banheiro de uso exclusivo, a nota média geral no exame foi de 557,83 pontos. Já entre aqueles que não tinham banheiro de uso exclusivo, a média ficou em 426,66 pontos, uma diferença de 131,17 pontos.
Na redação, a distância foi ainda maior. A média dos estudantes que tinham banheiro exclusivo chegou a 659,33 pontos, enquanto aqueles sem essa estrutura tiveram média de 462,96 pontos, uma diferença de 196,37 pontos.
O levantamento aponta que a ausência de infraestrutura básica pode estar relacionada às condições que afetam o desenvolvimento educacional. A análise estatística considera outras características dos estudantes e dos domicílios para estimar a relação entre saneamento e resultados educacionais.
O estudo também destaca que os efeitos podem acompanhar o indivíduo ao longo da vida. A menor escolaridade e qualificação profissional estão relacionadas, posteriormente, à inserção no mercado de trabalho e à produtividade.

Saneamento ainda é um desafio no estado
Os dados ajudam a dimensionar o contexto em que vivem muitos desses estudantes. Em 2024, 55,7% da população do Acre não tinha acesso à água tratada, enquanto 89% não contava com coleta de esgoto, segundo o mesmo estudo.
Para os pesquisadores, portanto, a expansão do saneamento não deve ser vista apenas como uma política de infraestrutura ou saúde pública. Os efeitos alcançam também a educação e podem influenciar as oportunidades futuras de crianças e jovens.
Fonte: A Gazeta do Acre




