
Quase 100 dias após o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, município no interior do Acre, os destroços seguem como parte da paisagem para a maioria dos moradores, principalmente de quem reside às margens do Rio Iaco. O acidente completa três meses, neste sábado, 5, e as investigações para elucidar o que motivou o colapso ainda não foram concluídas.
Segundo informações divulgadas pelo governo do Acre, a obra da ponte foi concluída e entregue em dezembro de 2023 e custou R$36 milhões em recursos próprios do estado do Acre. O caminho, antes percorrido via terrestre ou pelo rio, foi interligado por 232 metros de estrutura.
Um dia antes do ocorrido, em 4 de junho, a ponte havia sido interditada após uma vistoria de uma equipe do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre), junto ao Corpo de Bombeiros, detectar uma fenda na estrutura.
Acidente teve quatro vítimas não fatais
Quatro pessoas estavam na ponte no momento da queda. As vítimas, que sobreviveram aos ferimentos, foram identificadas como Weverton Murieta, de 34 anos, Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, o juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos e o irmão de Edinaldo, Edinei Muniz, de 51 anos.
O juiz aposentado foi a única vítima em estado gravíssimo e apresentou traumatismo cranioencefálico grave, fratura-luxação da bacia, lesão renal e hemorragia interna. Edinaldo Muniz precisou ser transferido para o hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde ficou em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até receber alta no dia 3 de agosto, após dois meses de internação. A vítima segue em São Paulo para tratamento.
O episódio marcou a população acreana e continua a provocar mudanças no dia a dia dos moradores e trabalhadores da região, que precisam recorrer ao uso de catraias ou gastar horas a mais na estrada para acessar o outro lado da cidade.
Órgãos aguardam contratação de equipamentos para perícia
A reportagem do portal A GAZETA entrou em contato com o delegado-geral da Polícia Civil do Estado do Acre (PCAC), Pedro Buzolin, que afirmou que as autoridades ainda aguardam a perícia e que é necessário aguardar o período de contratações, já que o estado não possui os equipamentos para realizar os exames necessários.
“Temos realizado diversas reuniões e as equipes estiveram lá recentemente, para realizar fotografias, mas esse acidente é algo incomum e que a gente não espera, então ainda não temos os equipamentos e é necessário aguardar as contratações para aí, sim, realizar os exames necessários”, pontua.
Questionado sobre a perícia, o Governo do Acre afirmou que o posicionamento é o mesmo da Polícia Civil, e não compartilhou informações sobre se a situação exige licitação ou por qual meio a contratação será feita.
Moradora relata que destroços seguem impactando a rotina
Em entrevista à GAZETA, a moradora Cristinaira Menezes relata que a situação continua a mesma e que não foi repassado aos moradores a informação de uma solução para a retirada dos destroços.

“Três meses se passaram, e a situação continua praticamente a mesma. Até o momento, não temos conhecimento de uma solução efetiva para a retirada dos destroços da ponte ou de uma intervenção que possa resolver os problemas da travessia. A população continua precisando passar pelo local e em alguns casos, se arrisca sobre os próprios escombros”, detalha.
A moradora cita a realidade dos próprios pais, que são de uma localidade do Rio Purus e precisam chegar até a cidade pelo porto para comercializar seus produtos na cidade.
“Meus pais estão enfrentando muitas dificuldades para ter acesso ao local, e trabalham trazendo bananas para vender aqui e essa situação também acaba afetando a comercialização de produtos”, acrescenta
Cristinaira pontua que sua maior preocupação é em relação aos moradores que se arriscam nos destroços.
“Eles sabem que é arriscado, mas precisam encontrar uma maneira de atravessar, porque dependem disso para trabalhar, transportar seus produtos, chegar aos locais, mas isso nos preocupa”, reforça.
Para a moradora, é necessário um posicionamento do poder público e da empresa responsável pela obra e que a falta de respostas causa uma sensação de abandono.
“Até agora, na nossa percepção, a população continua sem respostas, do poder público, da empresa, e isso causa muita frustração, porque três meses depois, os destroços continuam causando transtornos. O sentimento é de abandono, porque enquanto uma solução definitiva não aparece, temos que dar o nosso jeito”.
Deracre e MP não se manifestam
A reportagem da GAZETA também entrou em contato com as assessorias do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) e do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Fonte: A Gazeta do Acre




