Economia do Acre registra crescimento pífio de 1,5% e fica abaixo da média do país, aponta FGV

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A economia do Acre apresentou crescimento no segundo trimestre de 2026, mas em ritmo inferior ao registrado no país. Estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) acreano avançou 1,5% na comparação com o mesmo período de 2025.

O levantamento foi publicado no último dia 16 de setembro e integra uma iniciativa experimental do Núcleo de Contas Nacionais da FGV IBRE para acompanhar de forma mais atualizada o desempenho das economias estaduais.

No mesmo período, o PIB brasileiro cresceu 2%, enquanto a economia da Região Norte avançou apenas 0,2%. Com isso, o Acre ficou 0,5 ponto percentual abaixo do resultado nacional, mas 1,3 ponto acima do crescimento regional. 

Serviços puxaram crescimento no Acre

O estudo também revela o setor que mais contribuiu para o resultado positivo do estado.

Segundo a FGV, foram os serviços que deram a principal contribuição para o desempenho do PIB acreano no segundo trimestre. O setor também teve papel importante no resultado de outros estados da Região Norte e ajudou a amenizar as retrações verificadas no Amazonas e no Pará. 

No conjunto da Região Norte, a economia praticamente ficou estável. O crescimento de apenas 0,2% ocorreu principalmente porque duas das maiores economias regionais tiveram retração: o Amazonas registrou queda de 0,8% e o Pará recuou 0,2%.

Os dois estados, segundo a FGV, representam juntos mais de 60% da economia da Região Norte, fazendo com que seus resultados negativos tivessem peso significativo sobre o desempenho regional. 

O setor também teve papel importante no resultado de outros estados da Região Norte/ Foto: Ascom

Indústria do Norte recuou

A análise por setores mostra ainda dificuldades na indústria da região.

Enquanto a indústria brasileira apresentou crescimento de 1,5%, a atividade industrial do Norte registrou retração estimada de 1,3% no segundo trimestre.

A FGV aponta que o resultado foi influenciado principalmente pelo Amazonas, onde houve desempenho negativo da indústria de transformação, e pelo Pará, afetado pela retração das indústrias extrativas. 

No Amazonas, houve recuo em atividades importantes, como fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos, ópticos, máquinas e equipamentos.

No Pará, a redução da produção mineral no Sistema Norte contribuiu para o resultado negativo da indústria extrativa, segundo a análise.

Acre cresce mais que a Região Norte

Com alta estimada em 1,5%, o Acre apresentou desempenho superior ao conjunto da Região Norte.

A diferença é significativa: enquanto a economia acreana avançou 1,5%, a região como um todo cresceu somente 0,2%. Já o resultado brasileiro ficou em 2%.

Entre os estados cujos números aparecem reproduzidos a partir do levantamento estão ainda Amapá, com crescimento de 1,8%; Tocantins, com 1,4%; Amazonas, com queda de 0,8%; e Pará, com retração de 0,2%. 

Os dados da FGV são estimativas experimentais e não substituem o PIB estadual oficial calculado pelo IBGE/Foto: Reprodução

Economia pode desacelerar em 2026

Apesar do crescimento observado no Acre, os pesquisadores chamam atenção para sinais de desaceleração econômica em 2026.

De acordo com o estudo, o desempenho do primeiro semestre indica que as taxas de crescimento das economias da Região Norte estão abaixo da média observada nos dois anos anteriores. 

Entre os fatores apontados pela análise estão o patamar elevado dos juros, o endividamento das famílias, possíveis pressões sobre a inflação provocadas pelo petróleo e o risco de aumento dos preços dos alimentos em decorrência dos efeitos do El Niño.

Os pesquisadores também citam as incertezas características de um ano eleitoral como um dos elementos capazes de aumentar a cautela dos agentes econômicos nas decisões de investimento. 

Na data utilizada pelo estudo, a mediana das projeções do Boletim Focus apontava crescimento de 1,9% para o PIB brasileiro em 2026.

Estimativa não é o PIB oficial do IBGE

Os dados divulgados pela FGV são estimativas experimentais e não substituem o PIB estadual oficial calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A diferença é importante porque as Contas Regionais oficiais são divulgadas com maior defasagem. Atualmente, a tabela de PIB das unidades da Federação disponibilizada pelo IBGE apresenta dados estaduais até 2023. Naquele ano, o PIB do Acre foi calculado em aproximadamente R$ 26,3 bilhões. 

Para conseguir uma leitura mais recente da atividade econômica, o Núcleo de Contas Nacionais da FGV IBRE desenvolveu sua metodologia experimental a partir de adaptações das Contas Nacionais Trimestrais.

O cálculo utiliza informações conjunturais de diferentes bases, principalmente do IBGE, como a Pesquisa Industrial Mensal, Pesquisa Mensal de Comércio, Pesquisa Mensal de Serviços, PNAD Contínua e levantamentos da produção agrícola. Também entram dados da EPE, ANP, DataSUS e Inep. 

A iniciativa começou em 2025 e busca justamente permitir uma análise mais próxima do presente sobre o comportamento das economias estaduais.

Assim, o crescimento de 1,5% registrado para o Acre deve ser apresentado como uma estimativa da FGV IBRE para o segundo trimestre de 2026, e não como resultado oficial das Contas Regionais do IBGE.

Fonte: ContilNet