
Mais de um mês após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, a Polícia Civil do Acre ainda não concluiu as investigações sobre as causas do acidente. O inquérito foi prorrogado por mais 30 dias porque o laudo da perícia de engenharia, considerado a principal peça da investigação, ainda não foi finalizado.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, o trabalho pericial é complexo e exige uma análise detalhada da estrutura. O inquérito é conduzido por três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic).
A estrutura desabou na noite de 5 de junho. Quatro pessoas caíram no rio e ficaram feridas. A passarela já estava interditada desde o dia anterior por causa do risco de desmoronamento do barranco.
De acordo com o Ministério Público do Acre (MPAC), somente com o laudo da polícia será possível ingressar na Justiça contra os responsáveis. Segundo o órgão, embora o governo e a empresa responsável pela obra tenham enviado documentos, falta o principal: o laudo que diz exatamente o que deu errado.
Em contrapartida, por orientação dos peritos da polícia, o Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) está impedido de mexer no local do acidente para não interferir na investigação. Essa restrição gerou um efeito cascata que trava a cidade, pois, sem a liberação da área, os destroços da estrutura continuam bloqueando o leito do rio e o governo fica impossibilitado de traçar os projetos necessários para desobstruir o canal e planejar a reconstrução da nova ponte.
Construtora acumula multas e pede mais prazo
A Construtora Cidade, que fez a obra, está descumprindo ordens da Justiça. No dia 17 de junho, ela deveria ter entregue um plano de emergência e assistência às famílias afetadas, mas não apresentou.
Agora, a empresa tenta na Justiça ganhar mais tempo: pediu mais 15 dias para se defender, 20 dias para apresentar o plano de ajuda às famílias e 90 dias para fazer um laudo próprio. Se a Justiça negar os pedidos, as multas acumuladas contra a construtora podem chegar a R$ 200 mil.
Para evitar novos acidentes, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC) mandou reforçar urgentemente o isolamento da área e colocar mais placas de sinalização ao redor dos restos da ponte que ainda ficaram de pé.
Fonte: A Gazeta do Acre




